Foto de destaque (templo ou altar com oferendas)
Curiosidades sobre o Vietname
Coisas que só começámos a perceber depois de viajar pelo Vietname
Viajar por um país não é apenas visitar monumentos, tirar fotografias e descobrir o que pedir ao jantar.
Há sempre pequenos hábitos que começamos a observar sem perceber.
Porque é que estão a queimar dinheiro?
Porque há fruta e pacotes de bolachas em frente a um altar?
Porque é que toda a gente parece adorar karaoke?
E porque é que há tanta gente impecavelmente vestida a fazer sessões fotográficas?
Quanto mais tempo passámos no Vietname, mais perguntas fomos fazendo, e mais interessante se tornou perceber um bocadinho da cultura por detrás daquilo que víamos.
Estas foram algumas das coisas que mais nos despertaram a curiosidade.
🗺️ Índice
- 1. As oferendas que vais encontrar por todo o lado
- 2. Sim, aquele dinheiro está mesmo a ser queimado 🔥
- 3. A ligação aos antepassados está muito presente
- 4. O Tết é muito mais do que “o Ano Novo vietnamita”
- 5. Tartarugas, dragões, fénixes… 🐉
- 6. Karaoke é praticamente uma instituição
- 7. Os photo booths estão por todo o lado 📸
- 8. Vestir-se a rigor para fotografias é normal
- 9. Os teus 5 minutos de fama 📸
1. As oferendas que vais encontrar por todo o lado
Uma das coisas que rapidamente começámos a reparar foi na quantidade de oferendas.
Fruta, doces, bebidas e outros alimentos aparecem frequentemente colocados junto de altares.
Também observámos rituais com incenso e pequenas reverências.
À primeira vista, para quem não conhece a cultura, podemos passar ao lado sem perceber o significado.
Mas a relação com os antepassados e com o mundo espiritual tem uma presença muito visível no quotidiano vietnamita.
E, quando começámos a perceber isso, muitos daqueles pequenos altares que víamos por todo o lado passaram a ter outro significado.
Foto de um altar com oferendas
2. Sim, aquele dinheiro está mesmo a ser queimado 🔥
Outra coisa que nos deixou imediatamente curiosos:
pessoas a queimar “réplicas” de notas (dinheiro).
Não são, em regra, notas verdadeiras: são réplicas do Dong vietnamita ou até de dólares americanos.
São oferendas votivas, por vezes chamadas de “dinheiro fantasma”, que são queimadas em determinados rituais relacionados com os antepassados. As famílias queimam o dinheiro de papel nos passeios/calçadas, na estrada, nos quintais ou em templos. Na verdade, em praticamente todo o lado. O cheiro a papel queimado é uma constante!
A ideia simbólica é fascinante: através da queima, enviam-se bens para o mundo espiritual, para que os familiares que já morreram possam ter conforto e prosperidade.
E não vimos apenas representações de dinheiro.
Existem também outros objetos simbólicos em papel que podem ser utilizados como oferendas. Acredita-se que o fogo purifica os bens e o fumo serve de ponte para transferir a riqueza para o mundo espiritual.
A queima acontece durante todo o ano, mas é particularmente intensa no “Tết” (Ano Novo Lunar), em aniversários de morte e durante o Mês dos Fantasmas Famintos (o 7.º mês lunar).
É uma daquelas tradições que, sem contexto, parece completamente incompreensível.
Curiosamente, a venda e produção destas réplicas de papel é totalmente legal e regulada no Vietname, mas esta prática já começou a gerar debates focados na sustentabilidade. Para já, mantém-se uma tradição milenar.
3. A ligação aos antepassados está muito presente
Uma das coisas que mais me marcou culturalmente no Vietname foi precisamente esta relação entre vivos e mortos.
A homenagem aos antepassados não parece estar reservada apenas a grandes cerimónias.
Está presente nas casas, nos negócios, nos templos e em diferentes momentos do ano.
As oferendas de comida, o incenso e as orações fazem parte dessa relação simbólica entre gerações.
Foi uma perspetiva muito diferente daquela a que estamos habituados em Portugal e uma das coisas sobre as quais mais gostei de aprender durante a viagem.
4. O Tết é muito mais do que “o Ano Novo vietnamita”
Se estiveres no Vietname perto do Ano Novo Lunar, vais ouvir constantemente uma palavra:
Tết.
O Tết é a celebração mais importante do calendário vietnamita e marca o início do novo ano lunar. Não tem uma data fixa (muda todos os anos), e ocorre geralmente entre o final de janeiro e o início de fevereiro.
Mas não se resume à passagem da meia-noite. O feriado oficial dura cerca de 3 dias, mas na prática o país praticamente para por 10 dias. (Faz-me lembrar as celebrações do carnaval de Torres Vedras)
Família, comida, prosperidade, sorte, antepassados e rituais estão profundamente ligados às celebrações.
Uma das tradições sobre as quais aprendemos relaciona-se com a preparação da casa para receber o novo ano.
A limpeza é feita antes da entrada no novo ano e determinados gestos são depois evitados no primeiro dia (como lavar a loiça, deitar o lixo fora, limpar a casa, passar a ferro, etc), associados simbolicamente à ideia de não afastar a sorte e a prosperidade que acabaram de chegar.
Outras superstições são também seguidas à risca: não cortar o cabelo ou as unhas (acredita-se que corta a sorte e a riqueza para o novo ano) e não vestir roupa preta ou branca (tradicionalmente associadas à morte ou ao luto).
Há também refeições, oferendas e momentos dedicados aos antepassados.
É, de certa forma, um momento em que passado, presente e futuro se encontram à mesma mesa.
5. Tartarugas, dragões, fénixes… começam a aparecer em todo o lado 🐉
Nos primeiros templos provavelmente vais olhar para a decoração e pensar apenas:
“Que bonito.”
Depois começas a perceber que muitos dos animais que aparecem repetidamente não estão ali por acaso.
Dragões, tartarugas, criaturas semelhantes a unicórnios e fénixes surgem frequentemente na arte, arquitetura e simbologia tradicional.
Existem quatro animais sagrados na cultura vietnamit, simbolizando diferentes ideias, como poder, longevidade, prosperidade, sabedoria e equilíbrio.
O significado dos animais sagrados:
E acontece uma coisa engraçada quando começamos a aprender isto:
passamos a reparar neles em todo o lado.
Templos, telhados, esculturas, portas, pinturas…
É como desbloquear uma pequena linguagem secreta da arquitetura vietnamita.
6. Karaoke não é uma brincadeira. É praticamente uma instituição
Se achas que gostas de karaoke, espera até conheceres o Vietname.
Cantar parece ser um passatempo extremamente popular.
Vimos karaoke em cidades, espaços dedicados e situações onde simplesmente não estávamos à espera de encontrar alguém com um microfone.
E não há cá aquela timidez europeia de:
“Ai não, eu não canto.”
Canta-se.
Independentemente de haver ou não talento envolvido.
7. Os photo booths estão por todo o lado 📸
Outra coisa que começámos a reparar: photo booths.
Muitos.
Especialmente entre os mais jovens, tirar fotografias é um passatempo frequente.
Há espaços (lojas mesmo!) preparados para isso, acessórios, cenários e toda uma cultura em torno de criar fotografias bonitas e divertidas com amigos ou em casal.
E depois há as sessões fotográficas mais elaboradas.
8. Vestir-se a rigor para tirar fotografias é perfeitamente normal
Em vários locais turísticos vimos pessoas lindamente vestidas, por vezes com roupa tradicional ou coordenados muito elaborados, exclusivamente para fazer sessões fotográficas.
E eu adoro esta energia.
Roupa pensada, maquilhagem, poses, localização escolhida.
Tudo.
Em alguns locais é também possível alugar roupa para fazer este tipo de fotografias.
Por isso, se vires alguém vestido como se estivesse prestes a protagonizar uma campanha publicitária junto a um templo numa terça-feira às 10h…
é perfeitamente possível que esteja apenas a atualizar o álbum de fotografias.
Foto de alguém vestido a rigor numa sessão fotográfica
9. Prepara-te para os teus 5 minutos de fama 📸
Uma das situações mais caricatas que nos aconteceu no Vietname foi sermos abordados por completos desconhecidos com um pedido muito simples:
“Photo?”
E não, não queriam que lhes tirássemos uma fotografia.
Queriam tirar uma fotografia connosco.
Aconteceu-me várias vezes e, dependendo do sítio onde estiveres e do quão diferente for a tua aparência da população local, pode acontecer-te também.
Às vezes é uma selfie. Outras vezes aparece a família inteira. Ou que te põe uma criança ao colo. E há momentos em que acabas no meio de uma pequena sessão fotográfica sem perceber muito bem porquê.
Durante uns breves segundos, sentes-te ligeiramente famoso.
A explicação parece ser bastante mais simples do que o nosso ego gostaria: curiosidade.
Sobretudo fora das zonas mais turísticas, algumas pessoas têm menos contacto com estrangeiros e determinadas características físicas – pele muito clara, cabelo loiro ou ruivo, olhos claros, muita altura, por exemplo – podem despertar curiosidade precisamente por serem diferentes daquilo que veem habitualmente.
E há também uma diferença cultural interessante: os vietnamitas podem ser bastante mais diretos do que estamos habituados em Portugal quando demonstram curiosidade sobre a aparência ou até sobre assuntos que nós consideraríamos pessoais.
Na nossa experiência, foi sempre uma interação divertida e bem-intencionada.
Por isso, se alguém se aproximar de ti, sorrir, apontar para o telemóvel e perguntar “Photo?”…
não estranhes.
É possível que a tua carreira de celebridade internacional tenha acabado de começar. 😂
O Vietname (e na minha opinião todos os lugares) torna-se muito mais interessante quando começas a fazer perguntas.
Quando dás alimento à tua curiosidade de encontrar respostas para o que observas e não percebes.
É muito fácil viajar e limitar-nos a observar. Mas quando começamos a perguntar “porquê?”, a viagem muda completamente.
E foi precisamente através dessas pequenas perguntas que comecei a sentir que estava a conhecer um bocadinho mais do Vietname — e não apenas a passar por ele.
Obviamente, algumas semanas num país não nos tornam especialistas na sua cultura.
Muito pelo contrário.
Mas tornam-nos (ainda mais) curiosos.
E talvez seja uma das coisas de que mais gosto em viajar 💌.
A preparar uma viagem ao Vietname?
Data da Visita: Fevereiro-Março de 2026
Data da Escrita: Agosto de 2026